Olá {{nome_leitor | apaixonado por IA}}!
Há dias em que o problema não é falta de ideias.
É tentar escrever algo simples e ficar ali, a olhar para o ecrã, a reescrever a mesma frase três vezes.
Emails que soam estranhos. Mensagens demasiado secas ou demasiado longas. Pedidos que parecem confusos, mesmo quando sabes exactamente o que queres dizer.
Nesta edição quero mostrar-te como passei a usar a IA não para “escrever melhor”, mas para desbloquear a escrita do dia a dia.
TUTORIAIS E PROMPTS
Como usar IA para escreveres o que precisas
A maior parte das pessoas não tem dificuldade em pensar.
Tem dificuldade em escrever o que já pensou.
As ideias existem. O problema aparece quando é preciso transformá-las num email decente, numa resposta profissional, sem parecer estranho ou inseguro.
Onde me baralhei foi aqui:
eu próprio estava a usar a IA para escrever por mim. E o resultado era quase sempre o mesmo.
Soava bem.
Estava correcto.
Mas não resolvia a situação concreta.
Isto importava porque escrever mal, no dia a dia, não é um problema de português. É um problema de prática. De tempo. E muitas vezes de confiança.
Então mudei a abordagem.
Em vez de pedir à IA para escrever do zero, comecei a usá-la como editor.
O que experimentei foi simples:
Tentativa: dar à IA um rascunho fraco, mal escrito ou confuso.
Resultado: texto melhor, com o mesmo significado, pronto a enviar.Tentativa: pedir ajuste de tom em vez de “melhor escrita”.
Resultado: mensagens mais adequadas a quem está do outro lado.
O que ficou mais simples agora é isto:
escrevo sem pensar muito, despejo ideias, e deixo a IA organizar.
Não delego o pensamento. Só a organização.
O que ainda não ficou claro é se isto ensina a escrever melhor a longo prazo. Ou seja, se vou passar a necessitar menos de IA para o texto sair logo à primeira. Mas, honestamente, no dia a dia, o ganho imediato compensa.
O próximo passo foi cristalizar isto num prompt reutilizável.
Tu és um editor de texto prático e paciente.
Objectivo:
Transformar o texto abaixo numa mensagem clara, adequada ao contexto e pronta a enviar,
sem mudar o significado original.
Contexto:
- Destinatário: [quem vai receber a mensagem]
- Situação: [email, mensagem curta, pedido, resposta, etc.]
- Tom pretendido: [neutro, profissional, directo, cordial]
Regras:
- Não inventes informação.
- Mantém a intenção original do texto.
- Não faças floreados nem linguagem demasiado formal.
- Devolve no máximo 2 versões.
Formato da resposta:
1) Versão recomendada
2) (Opcional - ADICIONA APENAS SE QUISERES) Versão alternativa com tom ligeiramente diferente
3) Em 2–3 bullets, explica o que melhoraste e porquê.
Texto original:
[colar aqui o rascunho, mesmo que esteja mal escrito]Depois disto, escrever a newsletter e outras coisas no dia-a-dia tem sido mais simples. E rápido. Testa e diz me se isto te ajudou!
ÚLTIMAS DE IA
A Anthropic apresentou o Claude Opus 4.6, uma nova versão do seu modelo mais avançado.
O foco está claro: tarefas agentic de longa duração, programação em grandes bases de código e trabalho autónomo com menos supervisão humana. Pela primeira vez na linha Opus, o modelo passa a suportar uma janela de contexto de 1 milhão de tokens (em beta).
Porque importa
Agentes que têm mais memória: o Opus 4.6 mantém foco e coerência em tarefas longas, reduzindo o chamado context rot.
Programação melhor em escala: melhora planeamento, revisão de código e debugging, especialmente em projectos grandes.
Trabalho de escritório também conta: o modelo mostra ganhos relevantes em análise financeira, investigação e criação de documentos, sobretudo quando usado em conjunto com o Cowork.
Opinião
Este lançamento confirma a mudança qu este ano vai trazer: a corrida já não é por respostas melhores, mas por modelos que conseguem trabalhar sozinhos durante muito tempo. O Claude Opus 4.6 não impressiona tanto por “ser mais inteligente”, mas por ser mais fiável em tarefas longas, ambíguas e aborrecidas. Em breve, quero trazer as experiências que vou começar com o Claude Code (se a luz assim permitir 🙏 ).
No mesmo dia em que a Anthropic lançou o Claude Opus 4.6, focado em agentes de programação de longa duração, a OpenAI apresentou o GPT-5.3-Codex.
O anúncio reforça a aposta da OpenAI em agentes capazes de operar computadores e acompanhar trabalho profissional complexo do início ao fim.
Porque importa
A corrida acelera: dois dos modelos mais avançados do mercado focam-se no mesmo problema no mesmo dia: agentes persistentes e fiáveis.
Codex sobe de nível: o GPT-5.3-Codex deixa de ser apenas um assistente de programação e aproxima-se de um colaborador completo no computador.
Menos chat, mais execução: a interação passa a ser contínua, com o agente a trabalhar enquanto o humano orienta.
Opinião
O facto de ambos os anúncios terem acontecido no mesmo dia diz muito sobre o momento actual da IA. O foco no real impacto no nosso dia a dia está sem dúvida a fazer notar-se. E sim, acho mesmo que mesmo que não saibas programar, este vai ser um ano em que vais conseguir usar IA de forma útil.
Com estes lançamentos de ferramentas cada vez melhores, existe um outro paralelo: o open-source. E como falei na última edição, temos ainda com muita hype o OpenClaw. Um engenheiro decidiu testar o agente de IA e partilhou uma análise honesta do que acontece quando se tenta usá-lo no dia-a-dia.
Apesar de o código ser gratuito, a experiência revelou custos e limitações que raramente aparecem nos vídeos e demos que circulam online.
Porque importa
“Grátis” não significa sem custos: o software não tem preço, mas para funcionar bem precisa de modelos de IA pagos, que usam créditos e podem ficar caros ao fim do mês.
Precisa de estar sempre ligado: para o agente trabalhar sozinho, é necessário deixá-lo a correr num computador ou servidor ligado 24/7, o que também tem custos.
Modelos baratos não chegam: quando se usam opções mais económicas, o agente tende a falhar tarefas mais complexas ou a ficar “preso” sem chegar a um resultado útil.
Demos não mostram a conta final: muitos exemplos usam modelos de topo, mas não explicam quanto isso custa na prática.
Opinião: Este caso ajuda a separar entusiasmo de realidade. Tal como tinha dito na edição anterior, o que vemos na net não reflete completamente a verdade.
Ter acesso ao código é importante, mas o verdadeiro custo está em pôr o agente a funcionar de forma fiável. E segura. Não significa que não possas usar. Mas com esta análise ficas com mais consciência de como realmente esta nova tech funciona.
FERRAMENTA
Porque é que empresas grandes têm melhores resultados com IA (e não é por causa de prompts longos)
Há uma ideia muito espalhada de que bons resultados com IA vêm de prompts gigantes ou “truques secretos”.
Na prática, o que faz mesmo a diferença é estrutura.
Partilhei recentemente este vídeo onde mostro um repositório com system prompts reais atribuídos ao Claude.
O ponto mais importante não é copiar prompts. É perceber o padrão por trás deles.
O padrão que quase ninguém ensina
definir claramente o papel do modelo
impor regras e limites explícitos
pedir a resposta num formato concreto
É assim que empresas reduzem respostas vagas, aumentam consistência e tornam a IA previsível.
No vídeo deixo também um template simples, que funciona em qualquer chatbot. Mesmo para quem não tem experiência nenhuma:
Tu és [papel claro].
O teu objectivo é [resultado específico].
Contexto:
[explica brevemente a situação ou o problema]
Regras:
- Não assumes informação que não foi dada
- Se faltar contexto, faz perguntas antes de responder
- Dá respostas claras, práticas e sem jargão
Entrega:
- Formato: [lista / passos / tabela / texto curto]
- Tom: [simples / profissional / directo]
- Foco: [o que realmente importa para mim]
Se houver várias opções, explica prós e contras e recomenda a melhor.Este vídeo resolve um problema muito comum: respostas vagas e inconsistentes da IA.
Mostro o padrão que a Anthropic usa para guiar o Claude e deixo um template reutilizável que funciona em qualquer chatbot.
Se usas IA no dia a dia, vale mesmo a pena veres e aplicares.
FERRAMENTAS QUE USO
Surfshark — VPN rápida e segura para navegação sem limites. [2 meses grátis + 79% off]
Beehiiv — Faz crescer a tua newsletter com referrals, páginas e analytics. [-20% nos 3 primeiros meses]
ManyChat — Automatiza WhatsApp/IG/FB e capta leads 24/7. [-30% por 3 meses]
HeyGen — Avatares e dublagem de vídeos em vários idiomas, em minutos.
A IA não tem de pensar por ti para ser útil. Às vezes basta ajudar-te a dizer melhor o que já sabes.
Se este prompt te poupou tempo, fricção ou aquele bloqueio parvo antes de carregar em “enviar”, responde a este email. Gosto mesmo de saber onde isto está a ajudar na prática.
Até à próxima edção! E lembra-te, quando se trata de inteligência artificial, "AI é Fácil!”💡
Um abraço,
Tiago

