Olá {{nome_leitor | apaixonado por IA}}!

Nos últimos meses, a palavra “automações” começou a aparecer em todo o lado.
E quase sempre vem colada a outra: IA.

A ideia que passa é simples. Se não estás a usar automações com IA, estás a ficar para trás.
Na prática, o que vejo é o contrário: muita gente a complicar processos que ainda nem estavam claros.

Uso automações sim. Na newsletter. No Instagram.
Mas a maioria delas não tem IA nenhuma. E isso não é um atraso. É uma escolha.

Nesta edição quero explicar porquê.
Quando faz sentido automatizar. Quando não faz. E porque, para muita gente, a IA é o último passo. Não o primeiro.

TORNAR A IA FÁCIL

Nos últimos meses comecei a reparar numa coisa curiosa.
Muita gente fala de automações de IA como se fossem obrigatórias para qualquer projecto digital.

Na prática, no meu dia-a-dia, quase nenhuma das automações que uso tem IA lá dentro.

Uso automações na newsletter e no Instagram.
E funcionam exactamente porque são simples.

Onde me baralhei no início foi aqui:

  • Achei que, para “estar a fazer bem”, tinha de meter IA em tudo.

  • Confundi automação com inteligência artificial.

Isto importava porque estava a perder tempo a complicar processos que já estavam resolvidos.

Na newsletter, o objectivo é muito concreto. Quando alguém responde ao questionário inicial, quero receber essas respostas directamente no meu email.

O que tenho montado é isto:

  • a conta Google onde está o formulário está ligada ao Zapier

  • sempre que alguém responde, o Zapier extrai automaticamente os dados

  • essas respostas chegam ao meu email, sem eu ter de abrir folhas de cálculo ou plataformas intermédias

Não há análise, não há interpretação, não há IA.

No Instagram, o princípio é exactamente o mesmo. Quando faço uma nova publicação com um CTA de palavra, as pessoas comentam essa palavra nos comentários.

A automação funciona assim:

  • o comentário com a palavra activa o fluxo

  • o ManyChat responde automaticamente

  • a resposta segue um processo definido por mim, passo a passo

Não há decisões “inteligentes”. Há regras claras que eu defini antes.

O que ficou mais simples agora é esta regra mental:
se a tarefa é previsível, repetitiva e com regras claras, a IA raramente é necessária.

Automação resolve. IA só começa a fazer sentido quando há:

  • texto não estruturado

  • decisões com contexto

  • necessidade de resumir, interpretar ou transformar informação

É aqui que entra o contraste com algo que estou a testar agora. Na clínica, por exemplo, tenho notas escritas de forma livre. Não seguem sempre a mesma estrutura, variam de caso para caso e exigem contexto. Aqui, uma automação “clássica” não chega.

Estou a tentar criar uma automação com IA para:

  • organizar essas notas

  • resumir pontos-chave

  • transformar texto solto em algo mais útil no dia-a-dia

Ainda está em fase de teste, mas é um bom exemplo de quando a IA pode acrescentar valor.
Não porque é mais “avançada”, mas porque a tarefa exige interpretação.

Decisão prática:
uso automações simples sem IA sempre que posso e reservo a IA apenas para tarefas que realmente precisam de pensar.

Próximo passo:
perceber se esta automação com IA na clínica é fiável o suficiente para entrar no dia-a-dia, ou se fica só como apoio.

ÚLTIMAS DE IA

Uma série de anúncios recentes da Anthropic está a gerar receios no sector do software tradicional. Segundo analistas da RBC Capital Markets, novos produtos como o Claude for Healthcare & Life Sciences e o Claude Cowork reforçam a ideia de que a IA pode passar de “motor de crescimento” a ameaça directa ao modelo de negócio das empresas SaaS.
Após estes anúncios, acções de empresas como Salesforce, Workday, Intuit e Snowflake caíram entre 6% e 13%.

Porque importa

  • O “AI-proof” está a desaparecer: até agora, software vertical era visto como protegido. A saúde já não parece estar nessa lista.

  • IA substitui: funcionalidades antes vendidas como produtos passam a surgir como capacidades integradas num único agente.

  • Pressão sobre preços e subscrições: se a IA faz “80% do trabalho”, justificar licenças caras torna-se mais difícil.

Opinião: o que está a assustar o mercado não é um produto específico, mas a trajectória. Se tens ferramentas capazes de criar soluções à medida dos teus problemas, não precisas de depender de um software de outra pessoa. E isto é o começo. Mas é preciso aprender a usar bem isto!

A OpenAI anunciou a sua abordagem à publicidade no ChatGPT, confirmando que vai começar a testar anúncios nos EUA nas próximas semanas. Os testes irão abranger os planos gratuito e ChatGPT Go, um plano de baixo custo. Os planos Plus, Pro, Business e Enterprise continuarão sem anúncios.

Porque importa

  • Publicidade entra num espaço de confiança: o ChatGPT é usado para tarefas pessoais, profissionais e sensíveis, o que torna qualquer modelo de anúncios particularmente delicado.

  • Tentativa de equilibrar acesso e receita: anúncios surgem como forma de reduzir limites no plano Go e manter o plano gratuito viável.

  • Separação explícita entre respostas e anúncios: a OpenAI afirma que os anúncios não influenciam as respostas e serão sempre claramente identificados.

Opinião: este é um passo inevitável, mas arriscado. A OpenAI parece consciente de que o valor do ChatGPT depende mais da confiança do que da monetização directa. Mas todos já vimos o que acontece quando os anúncios se intrometem nas nossas rotinas. Falta saber se o ChatGPT já faz parte delas…

A Anthropic publicou na íntegra a Constituição do Claude, o documento que define os valores, princípios e comportamentos que orientam o treino e a actuação do Claude.
A constituição funciona como a autoridade final sobre o carácter do modelo e foi tornada pública sob licença Creative Commons, permitindo reutilização livre.

Porque importa

  • Valores passam a fazer parte do produto: o Claude é treinado para agir com prudência, honestidade intelectual e consciência dos limites do seu conhecimento, em vez de apenas optimizar para respostas rápidas ou agradáveis.

  • Reconhecer incerteza é um princípio: o modelo é incentivado a admitir quando não sabe, a explicar raciocínios e a evitar excesso de confiança em contextos ambíguos.

  • Autonomia humana em primeiro lugar: a constituição enfatiza que o modelo deve apoiar decisões humanas, não substituí-las ou empurrar conclusões sem contexto.

Opinião: este documento ajuda a perceber porque o Claude se comporta de forma diferente de outros modelos. A Anthropic está a apostar numa IA que privilegia prudência, clareza e responsabilidade, mesmo quando isso torna a experiência menos “espectacular”.
E que, honestamente, está a ganhar cada vez mais a minha atenção. Talvez esteja na hora de usar mais o Claude.

FERRAMENTA

LTX Studio – Transforma áudio em vídeo

O LTX Studio passou a permitir criar vídeos usando apenas uma faixa de áudio, em conjunto com vozes geradas pelo ElevenLabs.

Para que isto serve, na prática
  • Transformar voiceovers, podcasts curtos ou narrações em vídeo.

  • Criar vídeos explicativos sem gravar câmara nem editar manualmente.

  • Dar nova vida a conteúdo áudio que já tens.

Para quem faz mais sentido

Criadores de conteúdo, marketers, educadores e qualquer pessoa que já trabalha com voz mas não quer (ou não sabe) editar vídeo. Se consegues gravar um áudio, consegues criar um vídeo.

Porque vale a pena experimentar

Este tipo de ferramenta muda a lógica da criação: em vez de pensares primeiro em vídeo, podes pensar em mensagem. Gravas, falas, explicas. E o vídeo surge depois. Para quem produz conteúdo regularmente, isto é um multiplicador de tempo e energia.

FERRAMENTAS QUE USO

Surfshark — VPN rápida e segura para navegação sem limites. [2 meses grátis + 79% off]

Beehiiv — Faz crescer a tua newsletter com referrals, páginas e analytics. [-20% nos 3 primeiros meses]

ElevenLabs — Clonagem de voz natural para vídeos e podcasts.

Se esta edição serviu para alguma coisa, foi para tirar pressão.
Nem tudo precisa de IA. Nem tudo precisa de automação. E quase nada precisa de ser complicado.

Vou continuar a usar a newsletter como diário do que funciona e do que não funciona no meu dia-a-dia.
Sem promessas mágicas. Só decisões práticas, boas e más.

👉 Se esta edição te fez repensar uma automação ou simplificar um processo, responde a este email. Leio todas as respostas.

Até à próxima edição! E lembra-te, quando se trata de inteligência artificial, "AI é Fácil!”💡

Um abraço,

Tiago

PS: estou a testar este novo formato, mais focado em mostrar o que faço realmente com IA, em vez de explicar teoria ou “receitas de guru”. Se gostaste, diz-me. Se não gostaste, diz-me na mesma.

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