Olá {{nome_leitor | apaixonado por IA}}!
Há uma tendência que tenho reparado cada vez mais. Sempre que aparece uma ferramenta nova ligada a código, vejo o mesmo padrão.
Pessoas que nunca programaram na vida a pensar:
“Se a IA escreve código, então eu já não preciso de perceber nada disto.”
Eu também pensei assim quando comecei a testar o Claude Code.
O modelo é muito bom. Consegue estruturar aplicações, sugerir arquitectura, organizar ficheiros. Parece magia. Mas há um detalhe importante: ele foi pensado para quem já percebe o que está a acontecer por trás.
Nesta edição quero contar-te o que aconteceu quando tentei criar uma pequena app de registos clínicos automáticos… e como duas mensagens foram suficientes para praticamente esgotar o plano Pro.
Porque às vezes o problema não é a ferramenta.
É o contexto em que a usamos.
TUTORIAIS E PROMPTS
Porque usar usar o Claude Code foi um erro para mim
Queria criar uma pequena app interna para a clínica.
Nada de especial. Registos por voz. Conversão para texto. Organização automática em campos clínicos. Tudo simples.
Pensei: “Se o Claude Code é tão bom a programar, isto resolve-se rápido.”
Onde me baralhei foi aqui:
confundi capacidade técnica do modelo com eficiência prática para mim.
Não tenho base sólida de programação.
Não tinha arquitectura totalmente definida antes de começar.
Isto importava porque o plano Pro não é infinito.
E porque cada iteração em código consome muito mais contexto do que um simples pedido de texto.
O que experimentei foi direto ao ponto.
Tentativa: expliquei a ideia geral da app e pedi estrutura inicial. Resultado: resposta longa, bem organizada, mas já pesada em tokens.
Tentativa: fiz uma pergunta de follow-up para ajustar o fluxo e perceber melhor uma parte da integração. Resultado: resposta perfeita mas que necessitou de imenso contexto. E de tokens.
Duas mensagens depois, os créditos estavam praticamente no limite. E aqui percebi uma coisa simples.
O Claude Code não é “uma versão melhor do ChatGPT”.
É uma ferramenta pensada para quem já sabe o que quer construir e consegue guiar o modelo com precisão.
Se não sabes distinguir backend de frontend, se não sabes validar dependências, se não consegues antecipar problemas de estrutura, cada resposta vem maior, mais complexa, mais cara.
O que ficou mais simples agora é isto:
Antes de usar uma ferramenta orientada a código, preciso de três coisas claras:
o que quero exatamente, como vai funcionar e qual é a estrutura mínima necessária.
E a verdade é que eu até já estava a tentar fazer bem as coisas. Usei primeiro o Claude “normal” para pensar a estrutura da app.
Fluxo da informação. Campos clínicos. Ordem das etapas. O que acontecia em cada fase. Ou seja, não fui diretamente para o Code sem preparação.
Mas mesmo assim não foi suficiente para poupar tokens quando passei para o Claude Code. Porque o tipo de resposta que ele dá, mesmo quando só pedes arquitectura, é profundo, técnico e pesado.
O que ainda não ficou claro para mim é até que ponto este tipo de modelo compensa para protótipos muito iniciais, sobretudo quando ainda estás a consolidar a lógica do sistema.
Decisão prática:
Peguei na estrutura que já tinha pensado e levei-a para o ChatGPT e para o Codex. Dividi tudo em partes pequenas e comecei a construir bloco a bloco.
Próximo passo:
Terminar a app e só depois comparar, com calma, que abordagem fez mais sentido para mim.
ÚLTIMAS DE IA
A OpenAI apresentou o GPT-5.3-Codex-Spark, uma versão mais pequena e ultra-rápida do GPT-5.3-Codex, desenhada para programação em tempo real dentro do Codex.
O modelo é disponibilizado em pré-visualização para utilizadores ChatGPT Pro e marca o início da parceria da OpenAI com a Cerebras, focada em hardware de latência ultra-baixa.
Porque importa
Velocidade como prioridade: o Codex-Spark consegue gerar mais de 1000 tokens por segundo, tornando a interação quase instantânea.
Modo complementar aos agentes long-running: enquanto o GPT-5.3-Codex é pensado para tarefas longas e complexas, o Spark foi criado para edições rápidas, ajustes e iteração imediata.
Programação como diálogo contínuo: permite interromper, redirecionar e ajustar o modelo enquanto ele trabalha, aproximando a experiência de colaboração humana.
Opinião: Depois de uma série de anúncios focados em agentes que trabalham durante dias, este lançamento mostra que a OpenAI quer tentar manter-se nesta corrida.
À medida que os modelos se tornam mais capazes, dois problemas vêm me à cabeça: o gatos de tokens e a velocidade de resposta. A OpenAI está a trabalhar neste segundo e esperamos que se foquem no primeiro também (apesar de estar melhor que o Claude nesse ponto).
A Google anunciou uma grande atualização do Gemini 3 Deep Think, o seu modo de raciocínio especializado para desafios em ciência, investigação e engenharia.
A nova versão foi desenvolvida em parceria com cientistas e investigadores e passa agora a estar disponível na app Gemini para subscritores Google AI Ultra, além de acesso limitado via API para investigadores e empresas.
Porque importa
Foco em problemas sem resposta óbvia: Deep Think foi otimizado para lidar com desafios onde não existe uma única solução correcta e os dados são incompletos ou ambíguos.
Desempenho de nível competitivo: atingiu resultados de topo em benchmarks exigentes como Humanity’s Last Exam, ARC-AGI-2 e competições de programação como Codeforces.
Matemática e física a sério: mostrou desempenho ao nível de medalha de ouro em olimpíadas internacionais de matemática, física e química.
Opinião: Mais do que responder rapidamente, este modo foi desenhado para lidar com problemas difíceis, ambíguos e sem solução evidente. Exatamente o tipo de desafio presente na investigação científica real.
Se conseguir demonstrar utilidade prática fora dos benchmarks, pode tornar-se uma ferramenta relevante para investigadores e equipas técnicas que lidam com dados complexos no dia-a-dia.
FERRAMENTA
Lovable - a tua alternativa ao Claude Code
Se queres criar uma app sem começar do zero, a Lovable pode ser um meio-termo interessante.
O que é
Uma ferramenta onde descreves a app em linguagem normal e ela gera o código base por ti. Frontend, estrutura, páginas. Ficas com algo funcional para começar a trabalhar.
Para quem é
Quem tem uma ideia clara da app que quer
Quem quer validar um MVP rapidamente
Quem não é programador, mas consegue navegar num projeto simples
Casos de uso
Criar um painel interno para organizar dados
Montar uma app web simples para clientes
Gerar a base de uma ferramenta interna
Transformar um fluxo que tens no papel numa interface funcional
Como começar
Escrever uma descrição muito clara da app. O que faz, quem usa, que campos existem (podes usar o ChatGPT ou Claude para te ajudarem!).
Pedir para gerar a estrutura base.
Ajustar uma parte de cada vez, em vez de pedir “a app completa perfeita”.
Aqui está a diferença importante.
Ao contrário do Claude Code, a Lovable não parte do princípio que tu vais discutir arquitectura profunda.
Ela tenta dar-te algo utilizável logo de início.
Mas atenção.
Se nunca mexeste em nada relacionado com deploy, bases de dados ou variáveis de ambiente, vais ter sempre uma pequena curva de aprendizagem. A ferramenta ajuda, mas não elimina completamente a parte técnica.
Quando não vale a pena
Se a tua ideia ainda está muito confusa.
Se nem sabes que campos a app vai ter.
Se queres algo totalmente “arrasta e larga”, sem tocar minimamente em código.
Nesse caso, primeiro clarifica no papel. Depois sim, usa uma ferramenta destas.
Transparência: este é link afiliado, mas só faz sentido se realmente quiseres construir algo. Se ainda estás só na fase de explorar ideias, começa por definir bem o problema antes de investir em qualquer ferramenta.
FERRAMENTAS QUE USO
Surfshark — VPN rápida e segura para navegação sem limites. [2 meses grátis + 79% off]
Beehiiv — Faz crescer a tua newsletter com referrals, páginas e analytics. [-20% nos 3 primeiros meses]
ManyChat — Automatiza WhatsApp/IG/FB e capta leads 24/7. [-30% por 3 meses]
Se há uma coisa que esta experiência me ensinou é simples. Nem todas as ferramentas são para todas as fases.
O Claude Code é potente. Mas potência sem contexto pode sair cara. Principalmente se nunca mexeste em código e ainda estás a tentar perceber como as peças se ligam.
Às vezes o mais inteligente não é usar a ferramenta “mais avançada”. É usar a que te permite pensar melhor com o teu nível atual.
Se esta partilha te ajudou a evitar gastar créditos à toa, já valeu a pena.
Até à próxima edição! E lembra-te, quando se trata de inteligência artificial, "AI é Fácil!”💡
Um abraço,
Tiago
PS: Gostaste deste novo formato, mais focado no que estou mesmo a fazer com IA no dia a dia? Responde a este email e diz-me.

